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1º DE MAIO: PROTESTAR OU COMEMORAR
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Antonio “Lucio” – integrante do Coletivo Brasil Revolucionário e membro do Comando Político-Militar do PCBR na clandestinidade nos anos 60-70
Nota do autor: escrito em vermelho, cor do sangue das linhas traçadas pelos trabalhadores da cidade e do campo pelo Socialismo
“Se, com o nosso enforcamento, vocês pensam em destruir o movimento operário – este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria e esperam sua redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca mas, lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo que vocês não conseguirão apagar.”
(Fala de August Spies, um dos líderes dos trabalhadores e um dos 5 mártires de Chicago, nos tribunais da repressão burguesa dos EUA)
“Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo; o pão é a liberdade, a liberdade é o pão. A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos; o monopólio das mesmas, é contra isto que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, as forças sociais, essa força gigantesca – produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas – sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este, não outro, é o objetivo do socialismo.”
(Fala de Parsons, um dos líderes dos trabalhadores e um dos 5 mártires de Chicago, nos mesmos tribunais).
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Chicago, metrópole do estado central norte-americano de Illinois, capital Springfield. Normalmente, uma região fria devido aos ventos que sopram do Lago Michigan. Aquele maio do ano de 1886 era uma primavera que fervia como se fosse verão. A efervescência tinha uma origem: as lutas dos trabalhadores que se insurgiam contra a jornada de trabalho de 17 horas diárias (pleiteavam uma redução para 8 horas), sem direito a férias, folga semanal ou aposentadoria. A greve geral – decretada pelos operários sem o consentimento das leis arbitradas por tribunais que só favoreciam os patrões – tomava conta daquela região que passava por um grande surto de produção e crescimento daquele que sempre foi um dos polos industriais do capitalismo dos EUA. |
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Ao mesmo tempo, as organizações dos trabalhadores se estruturavam criando fundos cooperativados a fim de sustentar suas mobilizações. Havia duas centrais sindicais organizadas em todo o país: a AFL (American Federation of Labor, Federação Americana do Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). Por entre estas duas grandes corporações transitavam os operários mais conscientizados da necessidade de uma organização mais forte que fizesse frente às péssimas condições em que trabalhavam. Tinham uma imprensa própria com o fito de circular as idéias do socialismo e dos vários grupos políticos como os socialistas, os anarco-sindicalistas e os socialdemocratas*.
Aquele 1º de maio gerou uma série de manifestações tais como piquetes em fábricas, passeatas e comícios se entremeavam num torvelinho de enfrentamentos com a repressão violentamente desencadeada por toda a cidade. A “grande imprensa” da época, como sempre, apelidava os manifestantes de baderneiros, preguiçosos, aproveitadores, desordeiros e populistas. Qualquer semelhança de como a imprensa trata os movimentos sociais, hoje, não é mera coincidência. É a reprise de filmes já vistos em outros períodos da História das lutas sociais pelo mundo afora. A repressão policial ostensiva e disfarçada fez dezenas de mortos e centenas de feridos e presos no 1º de maio e nos dias que se seguiram. Houve resistência por parte de alguns dos rebelados. Diante de tal furor e violência policial, até a mídia patronal silenciou impactada com o que se desenrolava nas ruas.
O piquete em frente à indústria McCormick Harvester foi disperso a tiros, morrendo seis operários e centenas foram presos. Era o dia 3 de maio. Foi convocada uma manifestação para o outro dia. Neste dia 4 de maio, realizou-se uma concentração massiva. A revolta era tamanha que as divergências entre como se enfrentar a repressão, pacificamente ou não, dividiam os discursos dos oradores. Enquanto as lideranças tentavam acalmar os ânimos e unificar a todos, a polícia avançou sobre os manifestantes, batendo e pisando nos que caiam. Aos cerca de 200 policiais, se juntaram mais tropas que chegaram atirando para todos os lados. Centenas de pessoas morreram. As flores daquela primavera, tão decantada pelos poetas – e a preferida dos amantes – cresceram regadas pelo sangue dos mortos. Chicago foi, então, um cemitério só. Um canteiro de flores vermelhas; tintas que escreveram indelevelmente páginas de resistência e o alvorecer de uma nova etapa na luta dos trabalhadores e desempregados pelo capitalismo. |
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Foram presos e julgados em ritos sumários, com testemunhas forjadas, os líderes sindicais: August Spies, George Engel, Sam Fieldem, Adolph Fischer, Louis Lingg, Michel Schwab e Oscar Neeb. Em 09de outubro foram “julgados” e, no dia 11, foram enforcados: Parsons, Spies, Fischer e Engel. Lingg suicidou-se antes da execução. ESTES FORAM OS MÁRTIRES DE CHICAGO. OS CINCO E AS CENTENAS QUE TOMBARAM NAS RUAS PELA MESMA CAUSA. O governo de Illinois continuou debaixo da pressão e indignação geral pelos processos sumários e, seis anos depois, soltou os outros três sobreviventes. E assim foi escrito mais um capítulo da luta sangrenta entre o capital e o trabalho. Assim segue a luta de classes... Com os que enfrentam os exploradores e os que traem essa mesma luta – ao transformar esse dia e os sindicatos em festejos sem sentido, sorteios, “compram” e anestesiam muitos mas... não todos. Em homenagem a |
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estes mártires, o Congresso Internacional Socialista em Paris, no ano de 1889, deliberou por instituir aquela data do início da greve geral em Chicago, como O DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR. |
Vejamos como se marcam as festas aqui no Brasil, por exemplo. Há centrais sindicais, como a CGT e a Força Sindical. Essas sorteiam carros e outros prêmios, fazem showmícios e deixam as lutas de lado. A outrora combativa Central Única dos Trabalhadores faz “showmícios” contratando artistas caríssimos. A CTB (ligada ao PC do B) foi recentemente criada apenas para dar mais espaço político aos discursos dos “comunistas pra inglês ver do PC do B”. De fato, são uns apêndices da CUT com o mesmo discurso da socialdemocracia “moderna” e adaptada aos “novos tempos”. As organizações sindicais que, teoricamente, deveriam ser mais combativas, como a Conlutas e a Intersindical, se digladiam na “grande contradição” entre se criar uma nova central (?!) ou buscarem alternativas que não se bastem aos caminhos já trilhados; para que os “eternos liberados” (que antes eram da CUT) continuem nessas entidades, como se estas fossem o prolongamento dos seus respectivos partidos (PSTU, PSOL e PCB). Usam as máquinas sindicais como sinecuras de “assessores” e “diretores” e/ou “funcionários”. Chegam ao disparate de demitirem trabalhadores a fim de abrirem lugar aos seus militantes deslocados para esses “aparelhos”.
Estas são plataformas para futuras candidaturas às direções sindicais e/ ou parlamentares como essa “nova CUT” que pretendem fundar com a fusão dos setores oportunistas da Intersindical e os “profissionais” do PSTU (vários da Intersindical foram do PSTU, ex Convergência Socialista). “Já não é sem tempo”. “As tarefas do sindicalismo combativo assim o exigem”. Na verdade, perderam “espaços” nos sindicatos dominados pelos “burocras” da CUT e querem substituí-los pelos seus próprios “burocras”. Fazem de tudo para ganhar um “aparelho” e nele se perpetuarem. Não é de se estranhar que o PSTU faça alianças com setores pelegos como a Democracia Socialista (DS) do PT (no CPERS, Sind. dos Profissionais da Educação do Rio Grande do Sul) “do governo Lula traidor”. A DS é um pré-vestibular da Articulação Sindical. Quantos não foram da DS e se mudaram de armas e bagagens para a Articulação?! Em Brasília (no movimento estudantil), o PSTU também faz “alianças pontuais.” Essa é a tática da socialdemocracia na luta pelo “socialismo” de fancaria. “Vale tudo contra os arquipelegos da Articulação Sindical”. Até juntar-se aos pelegos (sem arqui). O PCB está no Sindicato dos Bancários do RJ junto com a Articulação e o PC do B (?!). |
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Participam das eleições consentidas pela Constituição de 1988. Esse grande acordo onde até os torturadores e criminosos da ditadura foram contemplados como na Lei da Anistia de 1979. Se essas organizações querem repetir a história “como farsa”, que o digam abertamente. Mas, pergunta-se: Quais foram os “avanços”, desde 1988 até o presente, no grau de organização e de mobilização dos trabalhadores? O que se viu foi uma verdadeira debandada de quadros formados pela esquerda para assumirem funções nas máquinas parlamentares, nos gabinetes de governos estaduais e prefeituras (o PCB fez campanha e participa da prefeitura do PT de Fortaleza).
Na Paraíba foi “diferente”. A direção nacional interveio na esdrúxula aliança entre o PT – PSDB (com a inclusão do PCB). Expulsaram os adesistas, é bem verdade. Mas, por que no Ceará a intervenção não se deu?! Não seria o mesmo caso? É nisso que dá aplicar o “leninismo” como dogma e de acordo com a “ocasião”. Quem vai determinar a fronteira entre o aceitável e o inadmissível? Participar de eleições em um quadro de descenso das forças de esquerda dá nisso. Nossos militantes forjados com tantas dificuldades, nos cursos de formação político-ideológica viram as costas à esquerda e caem nos braços da direita. Tudo por causa de “se aproveitar os espaços”. Os “espaços” é que os aproveitam num fisiologismo de causar inveja aos tradicionais corruptos da direita.
O PSOL também resolveu aceitar doações legais (declaradas pelos TREs) do Grupo Gerdau Johannpeter e das Forjas Taurus, fabricante de armamentos. Não se sabe se os trabalhadores da Gerdau e da Taurus foram consultados e... Se “concordaram.” Os avalistas políticos foram da tendência MES (Movimento de Esquerda Socialista) onde pontificam Luciana Genro e Roberto Robaina. Assim começou a derrocada ideológica do Partido dos Trabalhadores e, assim também, a do PSOL. Houve uma “grita” interna, mas abafada ao público potencialmente eleitor. Heloísa Helena veio a público denunciar com sua verve “de esquerda”? Ficou tudo escondido debaixo dos tapetes. Ninguém foi expulso. O PSOL rachou em seu último congresso e a candidatura, antes “consensual” de Plínio de Arruda Sampaio não foi digerida pela minoria comanda por HH que preferia o “direitoso” Martiniano, dono de um discurso mais moderado e mais palatável à classe média. Tudo por causa das eleições que podem gerar novos cargos para os mesmos. É a ambição mais pequeno-burguesa e mesquinha. O poder pelo poder. Dane-se a ideologia. Assim o fazem o Lindberg Farias, a Benedita da Silva, o Lula. E agora, juntam-se a eles, os neopelegos “de esquerda”. |
E vieram do movimento sindical. Esta escola que tanto pode forjar grandes líderes como Santo Dias (operário morto nos anos 80 em São Paulo) como grandes oportunistas e carreiristas “de carteirinha” mesmo. Comparemos o quadro atual no Brasil com o predominante naquele 1º de Maio tão longe e tão perto daqueles que preferem o árduo caminho de se tentar outras alternativas que não as que dependam do beneplácito dos patrões e suas leis. Temos um grande desafio: identificar como lutar para manter nossas conquistas SEM, ENTRETANTO, MANTER AS LUTAS APENAS POR QUESTÕES ECONÔMICAS. É a esses limites que, infelizmente, as “lideranças” atuais nos querem restringir. Convidemos nossos artistas populares, nossos cantores, Hip-Hop, grupos musicais, artistas cênicos mambembes que se exibem por prazer e comprometimento com as lutas independentes. ESSE DEVE SER NOSSO 1º DE MAIO! DE FESTA E... DE LUTA!
QUE OS MÁRTIRES DE CHICAGO SEJAM NOSSO EXEMPLO. ASSIM COMO OS QUE MORRERAM NA DITADURA. QUE TODOS OS QUE MORRERAM PELO SOCIALISMO SEJAM LEMBRADOS, ATÉ A VITÓRIA, SEMPRE! |

Engels - Lenin - Marx |
* – É importante frisar que a socialdemocracia, então, congregava os seguidores de Karl Marx – filósofo alemão que melhor denunciou o caráter explorador do capitalismo e formulou os princípios básicos dos interesses do proletariado trabalhador: “Proletários de todos os países, Uni-vos! Não tens nada a perder, a não ser vossos grilhões!”. Frase esta enunciada no Manifesto Comunista de 1848. Junto com Friedrich Engels e, depois, Vladimir Lenin, Marx compõe uma pirâmide que serve como marco definidor de qualquer programa científico de luta revolucionária pelo socialismo. Durante o período final dos 1800s, Lenin denunciava que a socialdemocracia havia sido transformada em uma farsa que só serviria aos traidores que, à medida que se passavam para o lado do inimigo, reduziam o sentido da luta de revolucionária para reformista. Só desejavam, esses falsos líderes, a satisfação das necessidades meramente econômicas. Nada de aspirar à ruptura com o capitalismo e, sim, a ele “aderir”. Em sua obra “O Que Fazer?”, Lenin definiu, com a força de um relato de um repórter político comprometido com as lutas, o que se passou com a socialdemocracia no que ele chamou de “3ª período da socialdemocracia”:
...Após o período da infância-adolescência, que durou de três a quatro anos, a socialdemocracia vem ao mundo como um movimento social de ascensão das massas populares, como partido político, seus dirigentes eram jovens... a formação de um Partido, na primavera de 1898, foi o fato mais marcante e, ao mesmo tempo, o ultimo ato dos socialdemocratas desse período... O terceiro período é o de dispersão, de desagregação, de vacilação. Tal como entre os adolescentes a voz ocorre à mudança de voz, também a voz da socialdemocracia russa começou a soar falso... Mas só os dirigentes erravam... retrocediam... enquanto as lutas proletárias avançavam a passos gigantescos... A socialdemocracia foi reduzida ao sindicalismo... (Lenin in O que Fazer?)
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Antonio “Lucio” |
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