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QUANDO 7 BILHÕES DE PESSOAS NÃO SÃO O PROBLEMA

Cartoon de Dario Castillejos, Dario La Crisis

Segundo os modelos demográficos da ONU, a população mundial alcançou os 7 bilhões de habitantes por estes dias. Estes modelos mostram que o ritmo de crescimento da população está abrandando devido a uma descida significativa da taxa de natalidade, embora o crescimento continue, fundamentalmente, pela diminuição da taxa de mortalidade.

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As cifras deixam claro que as grandes problemáticas que conformam a Crise Ecológica não respondem de forma prioritária ao crescimento da população mundial. Por exemplo, segundo a ONU, perto de 24.000 pessoas morrem a cada dia que passa, de fome ou por causas relacionadas com a fome, quando se produzem dois quilogramas de alimentos por pessoa por dia. Isto é, as pessoas não morrem de fome por falta de alimentos, mas por falta de dinheiro para os comprar. (negritos por minha conta - Alfredo)
Entre 1890 e 1990, a população mundial multiplicou-se por 3,5 enquanto as emissões de CO2 (que contabilizam cerca de 60% das Alterações Climáticas) o fizeram por 17 vezes e as emissões de SO2 (que produzem chuva ácida) por 13. O Pentágono é a instituição responsável pelo maior consumo de petróleo no Planeta e uma das que mais gases com efeito de estufa emite. Os Estados Unidos, com 4% da população mundial, emitem 25% dos gases com efeito de estufa. No período de 1990 a 2000, a população do estado espanhol cresceu ligeiramente, enquanto o consumo de energia primária aumentou 38% e cerca 45% o parque automóvel. Estas cifras mostram-nos que as Alterações Climáticas e outras problemáticas relacionadas com a contaminação atmosférica não respondem ao crescimento da população mundial.

A maior parte da população mundial consome muito pouco (tem uma pegada ecológica muito baixa) e não decide sobre a produção. E não pensemos só nos países empobrecidos. Por exemplo, no Estado espanhol, a pegada ecológica dos grandes empresários é muito maior que a dos 60% que anda no sufoco para chegar ao fim do mês e que, para além disso, não toma decisões no que respeita aos processos produtivos - que é onde se geram diretamente mais impactos socio-ambientais. O movimento ‘Ocupemos Wall Street’, os indignados (1) dos Estados Unidos, estão deixando isso bem claro quando apontam o dedo não aos 7 bilhões de habitantes mas sim a 1% deles, grandes milionários que controlam muito mais (governos e multinacionais), consomem muito mais e destroem muito mais que todo o resto junto. Não se degrada capital natural por sermos muitas pessoas, mas porque isso traz benefícios para uns poucos e prejuízos para a maioria.

...A evolução da população não é um fato isolado do contexto socioeconômico, pelo contrário, depende estreitamente dele. Num mundo repleto de injustiças sociais...

Um aumento repentino da densidade de habitantes pode ser a causa mais importante de degradação ambiental em momentos muito definidos em zonas muito concretas. Por exemplo, as crises dos Tigres Asiáticos nos finais dos anos noventa e a crise atual na China obrigaram centenas de milhares de trabalhadores a migrar de zonas industriais para o meio rural. Nas suas novas terras, estes migrantes cultivaram em zonas montanhosas sem conhecer as técnicas tradicionais de conservação de solos, provocando uma forte erosão, desflorestação, contaminação de rios, etc. Fenômenos semelhantes foram registados em zona de assentamento de campos de refugiados. Mas nestes casos específicos não podem levar-nos concluir que o crescimento da população mundial é a causa da Crise Ecológica Global. Para além disso, como vemos nestes exemplos, as migrações que acarretam grandes concentrações desordenadas de população têm, em última análise, uma origem socioeconômica.

A evolução da população não é um fato isolado do contexto socioeconômico, pelo contrário, depende estreitamente dele. Num mundo repleto de injustiças sociais e onde a mulher é oprimida, os filhos convertem-se em trabalhadores necessários para as famílias pobres e as mulheres não podem decidir sobre as suas gravidezes. Num mundo mais justo, onde não se dê prioridade aos benefícios de uns poucos e onde as mulheres deixem de ser oprimidas, a população mundial irá estabilizar e a organização democrática da produção irá levá-la pelo caminho da sustentabilidade.

Por Jesús Castillo

 

Texto publicado em novembro de 2011 na En Lucha (http://enlucha.org/site/?q=node/16560).
Tradução de Alexandre Leite

Quiteria pires - RJ
Gostei muito do texto,poisfaz você parar pra refletir a condição do nosso planeta.Pois os grandes aglomerados financeiros e econômico degradam nossas reservas naturais,em beneficios disso,arrecadam verdadeira fortunas, enquanto a grande maioria sofrem com os efeitos do aquecimento global:furacões,tisunames entre outras catástrofes naturais que ceifam milhares de vidas anualmente. Neste sentido ,é preciso reagir e se indignar diante de tal falta de respeito.BASTA!!!!!!! CHEGA de vê o genocidio indigena,CHEGA de ser conivente com a destruição das nossas reservas naturais,CHEGA de aceita que tudo isso é para o progresso do país,progresso este ,do qual apenas uma parte ínfima participa.........
 
 
 
 
 
 
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