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Campos amarelos
(P/ Sérgio Ferreira Pinto Júnior)

Cemitério de pobre tem poucas flores,
tem poucas cores,
tem túmulos parcos.

O sal da terra tempera a carne
dos corpos mortos
pregados no solo.

Cruz de pobre tem muita madeira,
muito tijolo,
muito cupim.

Cemitério de pobre tem tanto Silva,
tem tanta bala,
tem tanta dor.

28/09/2009
Chico

 

 

Do Trabalhador

O meu trabalho é o seu regozijo.
Meus poucos momentos de alegria, o seu prejuízo.
Riqueza, de todo e qualquer tipo, é o que produzo
E à miséria é ao que sou relegado, é ao que me resumo.
Meu corpo se gasta , se molda, se disciplina


A minha vida se passa
Sem graça e com pressa;
Meus olhos mal conseguem acompanhar
o crescimento dos meus filhos;
e é aí que me lembro que alguns deles 
sequer conseguiram crescer...
Quando meu dia termina
Não é um dia a mais,
é um dia a menos.

O meu dia perdido
E minhas mãos ásperas, quase petrificadas,
São o seu amanhã garantido.
Em suma:
A sua alegria e a sua esperança
São a minha desgraça.

O meu hálito selvagem
Cheira à liberdade,
Enquanto meu corpo transpira justiça.
Meus pés rudes e meus passos firmes, sem vacilar,
Carregam-me na direção correta.
O medo e a incerteza não são suficientes para me fazer recuar;
Não estou sozinho!
A colisão é inevitável e necessária.
Não há outro meio, outra forma, outra alternativa.

Depois do choque e do barulho ensurdecedor
Um silêncio mórbido paira entre o concreto e o asfalto avermelhado;
O tempo pareceu parar, incrédulo com o que presenciou.
E é nesse momento, patrão,
Que aproveito para lhe trazer a última e derradeira mensagem:
A sua história se encerra aqui, para que a minha se inicie.

(Renato Prata Biar) 

 
 
 
 
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