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GUERRA DOS SEXOS OU LUTA DE CLASSES?

Mafalda

Esta tira de Quino sempre me chamou atenção, pois, a partir dela, minha compreensão do conceito de classe se materializou de forma simples e me trouxe aquela sensação do “Agora entendi!”, “Nossa, então é isso!”, “Tá na cara!”, “Demais, essa sacação!”. Pena que muitas vezes o conceito de classe fique perdido e amarrado a preconceitos durante nossas ações diárias. E por que digo isso?
Digo isso porque estou cansada de ouvir preconceitos contra aqueles que optaram por uma vida sexual diferente da heterossexualidade. Canso de ouvir piadas que menosprezam a capacidade de homossexuais ou bissexuais. Canso de tentar entender por que pessoas oprimidas por um sistema desigual insistem colocar jugo sobre aqueles que optam uma sexualidade diferente.

O conceito de classe expresso na tirinha está ligado ao compromisso de luta entre aqueles que sofrem injustiça, que não ganham ouvidos e atitudes de compreensão. E, para seguir lutando contra um siste-ma desigual, importa o que o outro faz com sua sexualidade? Acho que não percebemos quanto tempo perdemos discutindo a atitude de uma pessoa ou ou-tra, inventado e mirabolando conceitos morais para condenar ou absolver um e/ou outro. E... sabe... há uma diferença entre ho-mossexualidade, bissexua-lidade e perversão.

Tal discussão me parece tão inflamada pelos meios de comunicação que acabamos perdendo o rumo do que contra lutamos. Não digo aqui que não devamos lutar por igualdade de direitos para homossexuais.

Evelin Red

Digo que não adianta lutar por igualdade, se vivemos em um sistema desigual. Digo que consertar o que é quebrado, não é possível. É o mesmo que fazer remendos em uma roupa gasta, rota e curta, que não cobre todo o corpo. A luta por direitos é uma luta legítima, da qual me coloco como participante. O que me incomoda é o preconceito que impede e atrapalha que todos possam ver que a luta é de pessoas inconformadas com a situa-ção de opressão e miséria em que vivem. A questão está em dar a mão a quem sofre, e não importa qual a cor dessa mão, ou a que sexo, idade ela pertence; importa que seja mais um que queira fabricar um tecido diferente, um tecido que dê pano paras as mangas e para todos.

Mulheres

Não dá pra aceitar que alguém que queira uma sociedade diferente, ainda julgue o outro ba-seado em sua sexualidade, no seu sexo, na sua raça, ou nos seus costumes. O monstro que nos oprime não liga se somos jovens ou moços, ho-mens ou mulheres, homos ou heteros. Para ele, não importa o que somos, para ele, importa o que temos a oferecer. Então porque se importar que mão nos procura para nos ajudar? Se esta mão não representa nenhum tentáculo de monstro, penso que esta mão faz parte de minha luta.
Título inspirado no livro Sexo contra Sexo ou classe contra classe, da autora Evelyn Reed.

Rosilene Jorge dos Ramos

 

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