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UM MILTON FORA DAS ESTANTES
Milton Santos
"Opor à crença de que se é pequeno, diante da enormidade do processo globalitário, a certeza
de que podemos produzir as idéias que permitem mudar o mundo."
O critério político de escolha pela literatura internacional relegou os clássicos brasileiros a um segundo plano de pensamento. Até agora, o debate tradicional da esquerda, utilizado como instrumento cientifico de interpretação para o Brasil, era realizado a partir de manifestos alheios a realidade com curtos intervalos de indícios certos. Como se consta, há uma produção cientifica de inesgotável vitalidade
historiográfica e social capaz de distinguir esta mesma realidade no ponto de vista da transformação.
Ao darmos crédito ao principal geógrafo brasileiro Milton Santos, buscamos áreas distintas para a conformidade da idéia com o objeto. Nascido em 3 de maio de 1926 na cidade de Brotas de Macaúba – mais conhecida pela queda do exguerrilheiro e capitão Carlos Lamarca – Milton Santos figura com prestigio intelectual na militância de idéias e reflexão. Negro e neto de escravos, formou-se em Direito,
ainda adolescente, teve contado com os clássicos da Filosofia – Aristóteles, Platão, Leibniz, Marx - mas dizia que a universidade é o exemplo atual de despotismo opondo-se ao trabalho intelectual. Ainda nos anos da academia, tenta ingressar na presidência da União Nacional dos Estudantes – UNE, mas logo é desencorajado pelo confronto da inacessibilidade racista da entidade. Sartreano convicto emigra para a
Europa a convite do franco Jean Tricart, onde conclui seu doutorado em geografia urbana na França.
Ao darmos crédito ao principal geógrafo brasileiro Milton Santos, buscamos áreas distintas para a conformidade da idéia com o objeto. Nascido em 3 de maio de 1926 na cidade de Brotas de Macaúba – mais conhecida pela queda do exguerrilheiro e capitão Carlos Lamarca – Milton Santos figura com prestigio intelectual na militância de idéias e reflexão. Negro e neto de escravos, formou-se em Direito,
ainda adolescente, teve contado com os clássicos da Filosofia – Aristóteles, Platão, Leibniz, Marx - mas dizia que a universidade é o exemplo atual de despotismo opondo-se ao trabalho intelectual. Ainda nos anos da academia, tenta ingressar na presidência da União Nacional dos Estudantes – UNE, mas logo é desencorajado pelo confronto da inacessibilidade racista da entidade. Sartreano convicto emigra para a
Europa a convite do franco Jean Tricart, onde conclui seu doutorado em geografia urbana na França.
Utilizando o método de Marx, acreditava que a era atual é muita mais palpável do ponto de vista histórico de transformação, discursando num tom pessimista para esse mundo assim apresentável, mas otimista no que pode vir a ser. O objetivo a perseguir seria muito mais cientifico e humano, abandonando o fanatismo teórico sobre o fim da história segundo a qual o neoliberalismo sairia vitorioso. Com diversos
textos, abordou a questão de classes no Brasil e no mundo; dizia que os burgueses no país apresentam um discurso “sueco em um congresso internacional em Bombaim”, a partir dessa reflexão, a classe proletária brasileira poderia estar ausente, pois os proventos desse debate não lhes diziam respeito. Foi um dos expoentes ao inovar o conceito de espaço e crítica a globalização, entretanto como marxista apenas enquanto teórico da dialética materialista, errou ao acreditar na humanização do capital como forma de anular os efeitos perversos do capitalismo.
Entre os nomes que lhe marcaram estão o de Castro Alves, Darcy Ribeiro, Caio Prado, Jorge Amado e Josué de Castro. Ateu convicto, tinha comprometimento com a libertação dos povos, mas dizia que fora “adestrado” a não gostar das atividades populares como samba e futebol, pois havia o risco de se perder pelo caminho. Trabalhou em diversos países como Cuba, Venezuela, Tanzânia e Estados Unidos, à convite do lingüista Noam Chomsky. Morreu aos 75 anos de idade como professor emérito do Brasil.
Milton Santos, leitura obrigatória nesses tempos de resistência a hegemonia neoliberal.
Andres Lima
Espaço cultural mané garrincha
 
 
 
 
 
 
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