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| Maria de Jesus R.Santos RJ |
Grande iniciativa da homenagem ao nosso Poeta Patitivado Assaré. Continuem lembrando e fortalecendoos poetas populares.
Vocês poderiam me mandar uma cópia do filme "Pâo e Rosas"?
Feliz 2010! |
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OS MOVIMENTOS CULTURAIS NOS ANOS 1950/60 |
A década de 1950-60 caracterizou – se por influências culturais nacionais e internacionais. Tudo em meio a uma conturbada conjuntura política, econômica e social – uma fase de transição.
Depois do 2º período Vargas que sofreu a primeira tentativa de golpe quando da edição do “Manifesto dos Coronéis” encabeçado pelo Cel. do Exército Golbery do Couto e Silva em fevereiro de 1954 - 10 anos depois, já general, estaria à frente do golpe que depôs João Goulart) .- houve a eleição de Juscelino Kubitschek que teve sua posse garantida pela intervenção de militares nacionalistas e legalistas como o Marechal Lott. Houve outras tentativas de golpe com o almirante Silvio Heck e o Movimento de Aragarças – à frente o futuro Brigadeiro Burnier. Estes golpistas reproduziam um extrato político – militar gestado com a política de “aproximação” dos Estados Unidos no após – guerra. |
Nestes, até o Carnaval e o futebol serviam como cenários de conflitos pessoais e políticos. |
Nos anos 50, as manifestações de uma cultura brasileira se traduziam em filmes como “Rio 40 Graus” e “Rio Zona Norte”, de Nelson Pereira dos Santos de temática fortemente social e precursora do Cinema Novo dos anos 60. Nestes, até o Carnaval e o futebol serviam como cenários de conflitos pessoais e políticos. O lado escapista (alienante) se dava através das produções de chanchada da companhia Atlântida com filmes estrelados por dois comediantes que marcaram época: a dupla Oscarito e Grande Otelo. Uma tentativa
nacional de responder aos importados Jerry Lewis – Dean Martin e Abott – Costello, comediantes norte – americanos.
Na música, tivemos a explosão do Baião, estilo musical que alçou o sertanejo pernambucano Luiz Gonzaga ao estrelato, logo após, seguido pelo forró mais pé-de-serra do paraibano de Alagoa Grande, Jackson do Pandeiro. O baião de Luiz Gonzaga era mais estilizado, pois os arranjos musicais e composições (como Asa Branca) eram feitos pelo maestro cearense Humberto Teixeira. “À época, o médico Zé Dantas compôs o clássico “Vozes da Seca” e o poeta cearense Patativa do Assaré compôs ‘‘Triste Partida”, ambos brandiam sua verve poética politizada. Não esquecer que a metade dos anos 50 viu o Nordeste sofrer uma forte seca o que apressou a corrente migratória para o Sudeste, impulsionados pela construção civil. O que originou as alcunhas de “Paraíbas” (estado de onde vinha a maioria da mão- de - obra de pedreiros), no Rio e de “Baianos” em São Paulo. Lembrar que em 1955 foi criado o primeiro sindicato de trabalhadores rurais do Nordeste, as Ligas Camponesas, em Pernambuco. Então, os estados da Paraíba e Pernambuco encabeçavam as revoltas no campo contra o latifúndio semi – escravista. |

Poeta Cearense Patativa do Assaré |
À mesma época, os jovens da classe média ou pequena – burguesia via a chegada do Rock – and – Roll via filme “Ao Balanço das Horas” (com Bill Halley e seus Cometas) e o Jazz das elites americanas que tocavam um ritmo de compasso sincopado e cantores/as de voz suave e intimista. Ao contrário do Jazz negro de protesto e com um forte traço dos blues - músicas tristes dos trabalhadores escravos do Sul dos Estados Unidos. O próprio Rock em seu início provinha desse extrato social sendo, após, “domesticado” e “embranquecido” via seu principal fenômeno midiático: Elvis Presley. Já o cinema trouxe, também, o filme “Juventude Transviada”, do cineasta de esquerda americano, Nicholas Ray. Observe – se que o título no Brasil não fez justiça ao original americano, “Rebel Without a Cause” (Rebelde sem Causa). Era (e ainda é) um grito de jovens do pós – guerra sem perspectivas em uma sociedade que não atendia aos seus anseios por uma inserção social sem que cobrasse, em contrapartida, consumir os bens que representavam posição na sociedade e ser por ela aceito; carros, Coca Cola, cigarros e...drogas. |
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Os anos 60 eclodiram no Brasil com o final da era desenvolvimentista de JK – que implementou o parque automotivo com as linhas de montagem de multinacionais como Willys Overland, Renault, GM e outras. A indústria brasileira – impulsionada por um crescente setor metalúrgico – era a Fábrica Nacional de Motores, FNM, em Xerém (Caxias), Estado do Rio de Janeiro, capital, Niterói. Os trabalhadores metalúrgicos, ferroviários, camponeses e estudantes, já organizados, pressionavam o governo federal (já em Brasília) por Reformas de Base (estruturais). O governo federal se mudara da Velhacap (Rio) para a Novacap (Brasília). Entretanto, era o Rio que ecoava os protestos nacionais no segmento das artes e cultura. |
A União Nacional dos Estudantes (UNE) criou o Centro Popular de Cultura, o CPC, que gerou cinema, teatro (Teatro de Arena) e música levados aos bairros populares com os temas que sacudiam o país. Era uma proposta de troca entre os setores médios radicalizados à esquerda. Alguns dos compositores oscilavam entre a Bossa Nova (importada dos Estados Unidos do Jazz “branco”) e o samba – este, sem dúvida, um gênero musical mais característico do povo brasileiro mais brasileiro. Um exemplo: Carlos Lyra que compôs músicas dos anos 50 – 60 e fez “O Pau de Arara” junto com Vinícius de Morais. Outro era o músico Sérgio Ricardo que fazia filmes como diretor, ator e compositor “Esse Mundo é Meu”. Há um clássico de cinco cineastas como Cacá Diegues, Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade; “Cinco Vezes Favela”. Nele, cinco filmes curtos retratam a vida de pessoas de favelas e seus problemas cotidianos. Joaquim Pedro de Andrade filmou o hoje antológico documentário “Garrincha, Alegria do Povo”, onde focaliza o jogador do Botafogo e da seleção brasileira, Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha. Suas origens desde a fábrica têxtil onde era operário do sopé da serra de Petrópolis, em Pau Grande, Vila Inhomirim, Magé, vilas operárias que giravam em torno da fábrica. Seu pai, um caboclo sergipano típico do migrante nordestino em busca de vida melhor no sudeste. |
O Rock teve seu congênere nacional através da Jovem Guarda (Roberto Carlos à frente), porém, com letras de “fuga da realidade” mesmo com algumas melodias bem compostas: “...De que vale a minha/ boa vida de playboy, se entro no meu carro/ e a solidão me dói” (Quero que vá tudo pro Inferno, de Roberto/Erasmo Carlos)
A televisão descobriu o filão que representava tanta gente jovem – alienados ou de protesto – e criou os Festivais da Canção – a TV Record em São Paulo tinha dois cenários do mesmo palco: o programa Jovem Guarda (Roberto Carlos, o MC da época) e programas com Elis Regina, Jair Rodrigues, os tropicalistas Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes (Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio) e os engajados Geraldo Vandré e o pernambucano Edu lobo , dividindo as mesmas atenções e os públicos entre “engajados” e “alienados”. A estas “torcidas” nem Chico Buarque e Tom Jobim (este, maestro jazzístico bossanovista) escaparam. Foram vaiados estrepitosamente pelo público “radicalizado” no Maracanãzinho que não engoliu como vencedora do Festival da Canção do Rio (em sua fase nacional), a lírica “Sabiá” daqueles dois compositores. Preferiam o considerado “Hino dos Protestos”, a canção de três acordes básicos (porém, chamava à luta contra a ditadura), “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores” – “Caminhando” – do paraibano egresso do CPC da UNE, Geraldo Vandré. |
Vivia – se um período de ascenso das lutas popularesna América Latina: a morte do médico argentino guerrilheiro Ernesto Che Guevara (1967) "O Che"que havia sido um dos ícones da Revolução Cubana junto com Fidel e Raul Castro na Bolívia. No Brasil, estudantes, intelectuais e artistas participavam de passeatas pelas principais capitais do Brasil e operários em greve nas metalúrgicas Cobrasma (Osasco, SP) e em Contagem – MG. Vale ressaltar que foram greves contrárias às orientações dos sindicatos formais e organizados por comitês de fábrica que expressavam os “rachas” da esquerda oriunda do Partido Comunista Brasileiro, o PCB, sob a direção de Luis Carlos Prestes. As passeatas tinham enfrentamentos com grupos de autodefesa organizados deliberadamente pelos grupos que saíram do PCB: o PCBR (Revolucionário),dissidências do PCB (GB e SP), Ala Vermelha do PC do B, e ALN (Ação Libertadora Nacional) eram algumas delas.
Após este período de ascensão, veio o Ato Institucional Nº 5 quando a ditadura tornou – se mais preventiva e cassou os direitos políticos das principais lideranças populares. A resistência armada contra o regime respondeu com ações cada vez mais ousadas e que exigia muito desprendimento e coragem por parte dos militantes. Muitos morreram sob torturas, entretanto, as classes dominantes tiveram suas baixas. Não foi tão fácil, assim, explorar e reprimir o povo. Houve resposta por parte dos que ousaram lutar contra aquele estado de coisas. |

Geraldo Vandré
Fotos Google |
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Finalizando este trabalho, mas não esgotando um tema tão rico, sugerimos como proposta de de debate o seguinte temário: “ATUALMENTE, ONDE ESTÁ VOCÊ QUE LUTOU NAQUELE PERÍODO...?”. a pergunta que não quer calar exige uma resposta. |
Antônio “Lúcio” – Coletivo Brasil Revolucionário (CBR) |
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