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Destaques:
Internacional 

Letra: Eugene Pottier

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De pé ó vítimas da fome
De pé famélicos da terra
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra
Cortai o mal bem pelo fundo
De pé, de pé, não mais senhores
Se nada somos em tal mundo
Sejamos tudo ó produtores.
 
Refrão:
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional
 
Senhores patrões chefes supremos
Nada esperamos de nenhum
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre comum
Para não ter protestos vãos
Para sair deste antro estreito
Façamos com nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito.
 
Refrão
 
O crime do rico a lei o cobre
O Estado esmaga o oprimido
Não há direito para o pobre
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos
Somos iguais todos os seres
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres
 
Refrão
 
Abomináveis na grandeza
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha.
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu
Querendo que ele o restitua
O povo quer só o que é seu.
 
Refrão
 
Nós fomos de fumo embriagados
Paz entre nós guerra aos senhores
Façamos greve de soldados
Somos irmãos trabalhadores.
Se a raça vil cheia de galas
Nos quer à força canibais
Logo verá que nossas balas
São para os nossos generais
 
Refrão
 
Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo
Pertence a terra aos produtivos
Ó parasita deixa o mundo.
Ó parasita que te nutres
Do nosso sangue a gotejar
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar
 
Refrão

 
 
 
 

 

 

Bertold Brecht  - O sentido social da Arte

Grandes artistas foram consagrados por perceber o caráter revolucionário das manifestações artísticas. Bertold Brecht, dramaturgo e poeta, foi um exemplo que marcou profundamente o teatro e a poesia. Suas obras ressaltaram a importância de dar vida ao texto tanto em prosa como poesia, que este poderia ir muito mais longe do que simplesmente fornecer alegria e distração. Portanto sua obra é pautada por prover a conscientização a partir das múltiplas características pertencente a produção textual, possibilitando um constante encontro da crítica e da reflexão.

Em suas obras estava explícito o caráter pedagógico, fundamental para Brecht, que percebia a importância de estimular o pensamento crítico dos espectadores, estimular a não passividade perante a realidade. Um teatro comprometido com a formação do sujeito ativo, uma representação da vida cotidiana e crítico do modelo de produção capitalista, que colocava o ser humano como mero executor, obediente aos ditames do capital. É nesse sentido que, conhecer a obra de Brecht torna-se fundamental, pois são obras atemporais que mostram uma arte a serviço do proletariado, pois está foi a base preponderante de toda a sua bibliografia.
            Portanto, neste mês de Agosto, completando 56 anos de sua morte (14 de agosto de 1956), homenageamos Eugen Bertold Friedrich Brecht, importante poeta e dramaturgo do século XX, trazendo um pouco de sua histórica e principalmente o ideal de sua

AdoniranBarbosa

Berthold Brecht

obra. Pois, mais do que relembrar este grande artista revolucionário, é manter viva a sua concepção de arte e mundo. E para isto é importante ressaltar o contexto histórico que muito inspirou sua obra. Nascido em 10 de fevereiro de 1898, na Alemanha, em 1920 torna-se marxista, participando intensamente das mobilizações da República de Weimar, período que começar a desenvolver o seu teatro épico, muito influenciado pelo teatro experimental da Rússia soviética, pelo teatro chinês e também pelos artistas Erwin Piscator, Vsevold Emilevitch, desenvolvendo a crítica artística direcionada as relações sociais na sociedade capitalista.

O seu reconhecimento é rápido, e, em 1922 ganha o prêmio Kleist por Tambores da Noite. Mas, ao abordar temos relacionados a realidade, tocando em pontos fundamentais que caracterizam o mascaramento da sociedade, abordando temas que coloca em xeque os valores ‘naturalizados’ da época, Brecht provoca o estranhamento social, o escândalo a partir de seu humor cínico na sociedade. Contudo, a história da arte, nos seus diversos segmentos nos mostra que, os grandes nomes da arte que se perpetuaram na história estavam ligados às questões sociais, sendo assim, Bertold Brecht se tornará referência para muitos artistas depois dele, sendo quase que obrigatório conhecer o estilo e características de suas obras, como por exemplo, os musicais Ópera dos três vinténs (1928) que será inspiração para Chico Buarque escrever a Ópera do Malandro.
            Com a ascensão do nazismo (1933), Brecht ver-se obrigado a exilar-se, pois seus posicionamentos iam de encontro ao ideal totalitário do novo governo alemão. Sua odisséia particular termina na Califórnia (EUA) onde permaneceu até o final da guerra, porém continuou a escrever suas peças, fiel aos seus ideais. Entretanto, será um momento de grande importância para o artista, que irá escrever, neste período, várias de suas famosas obras, como a peça Galileu Galilei (1930) abordando questão da ciência e sua responsabilidade e A Ascensão Irresistível de Arturo Ui (1941), uma peça contra Hittler, que só estreou após a sua morte.  Ou seja, no teatro foi um autor e pensador prático, pois seus “experimentos sociológicos” (como gostava de denominar suas peças) representavam uma crítica as relações sociais e fatos reais, expondo sua teoria e pensamento.
            Brecht também foi  autor de vários poemas que expressavam a realidade da classe proletária, como por exemplo, o poema Elogio da dialética:

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Enfim, neste mês de agosto  o Uni-vos.com vem resgatar a imensa contribuição deixada por Brecht, pois a sua obra expressa a incessante busca por uma sociedade humana e igualitária, valores estes que permeiam o horizonte de milhões de trabalhadores.
Uni-vos.com
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